Criação de Plugin

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# Como criar um plugin para o pitiupi ?
O objetivo aqui, além de criar plugins para esse sistema, é entender **por que cada parte existe**. Isso é importante porque a ideia de **carregar código externo em tempo de execução** aparece em várias ferramentas nas áreas da computação.
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## 1. Visão rápida
O repositório contém projetos Java **independentes**:
| Projeto | O que é |
|---|---|
| `pitiupi` | A ferramenta principal — P2P, janela, rede, e o "motor" que carrega plugins |
| `pitiupi.chat` | Um plugin que adiciona um chat |
| `pitiupi.screenCast` | Outro plugin que adiciona compartilhamento de tela |
Cada plugin é compilado separadamente com `ant` e o `.jar` gerado é colocado (ou linkado) dentro da pasta `pitiupi/plugins`.
Quando o pitiupi principal inicia, ele varre essa pasta e **carrega dinamicamente** cada plugin encontrado, sem que o código principal precise conhecer o plugin em tempo de compilação.
Isso é possível graças a três partes que trabalham juntas:
1. A **interface `Plugin`** — o contrato que todo plugin deve cumprir.
2. O **`PluginLoader`** — a classe do pitiupi que varre a pasta `plugins/` e carrega os `.jar`.
3. O **arquivo de registro do `ServiceLoader`** — um arquivo de texto dentro do `.jar` que diz "esta classe aqui implementa `Plugin`".
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## 2. O contrato: a interface `Plugin`
Todo plugin **precisa** implementar esta interface (`pitiupi/src/pitiupi/plugin/Plugin.java`):
```java
public interface Plugin {
public String getName();
public String getAuthor();
public String getVersion();
public void createPlugin(MainWindow window);
public Message getMessage();
public void receiveMessage(byte[] message);
}
```
O que cada método faz:
- **`getName()` / `getAuthor()` / `getVersion()`** — indentificação de dados básicos.
- **`createPlugin(MainWindow window)`** — É aqui que o plugin cria sua interface gráfica, adiciona itens de menu na janela principal, etc.
- **`getMessage()`** — Serve como modelo para a camada de rede saber que tipo de mensagem esse plugin envia.
- **`receiveMessage(byte[] message)`** — recebe as mensagens que chegam pela rede e permite que o plugin interprete esses dados.
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## 3. Como o pitiupi encontra e carrega os plugins
A classe `PluginLoader` (`pitiupi/src/pitiupi/control/PluginLoader.java`) faz o seguinte:
1. Olha dentro da pasta `plugins/` e lista todos os arquivos `.jar`.
2. Cria um `URLClassLoader` — um "carregador de classes" isolado, que sabe ler código de dentro desses `.jar`.
3. Usa `ServiceLoader.load(Plugin.class, pluginClassLoader)` para perguntar: *"dentre essas classes, quais implementam `Plugin`?"*
4. Para cada plugin encontrado, chama `createPlugin(mainWindow)` e guarda o plugin numa lista.
```java
ServiceLoader<Plugin> serviceLoader = ServiceLoader.load(Plugin.class, pluginClassLoader);
for (Plugin plugin : serviceLoader) {
plugin.createPlugin(this.mainWindow);
this.mainWindow.getPlugins().add(plugin);
}
```
**Obs:** o `ServiceLoader` do Java **não escaneia o bytecode procurando quem implementa a interface**. Ele lê um arquivo de texto simples dentro do `.jar`. Se esse arquivo não existir ou estiver errado, o plugin é ignorado — mesmo que o código esteja perfeito.
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## 4.`META-INF/services`
Dentro do projeto `pitiupi.chat` por exemplo, existe este arquivo:
```
pitiupi.chat/src/META-INF/services/pitiupi.plugin.Plugin
```
Repare em duas coisas:
- A **pasta** se chama `META-INF/services`.
- O **nome do arquivo** é o nome completo da interface: `pitiupi.plugin.Plugin`.
- O **conteúdo** do arquivo é uma linha com o nome completo da classe que implementa essa interface:
```
pitiupi.chat.plugin.ChatPlugin
```
Implementar `Plugin` diz "eu sei fazer o trabalho"; o arquivo em `META-INF/services` diz "aqui está quem sabe fazer o trabalho". Sem o segundo, o pitiupi nunca fica sabendo que a classe existe.
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## 5. Exemplo real: o `ChatPlugin`
Veja como o plugin de chat implementa o contrato — use isso como referência ao escrever o seu:
```java
public class ChatPlugin implements Plugin {
private ChatWindow chatWindow;
private MainWindow mainWindow;
@Override
public void createPlugin(MainWindow mainWindow) {
this.mainWindow = mainWindow;
this.chatWindow = new ChatWindow(mainWindow);
this.mainWindow.addMenu(new ChatMenu(chatWindow));
}
@Override
public void receiveMessage(byte[] message) {
// desserializa os bytes recebidos de volta em um objeto ChatMessage
ByteArrayInputStream bis = new ByteArrayInputStream(message);
try {
ObjectInputStream ois = new ObjectInputStream(bis);
if (ois.readObject() instanceof ChatMessage msg) {
this.chatWindow.receiveChatMessage(msg);
}
} catch (IOException | ClassNotFoundException ex) {
System.out.println(ex.toString());
}
}
@Override
public String getName() { return "Chat"; }
@Override
public String getAuthor() { return "Flávio, Tony e Gustavo "; }
@Override
public String getVersion() { return "0"; }
@Override
public Message getMessage() { return new ChatMessage(); }
}
```
Em `createPlugin` é onde o bum de "aparecer na tela" acontece: ele cria a janela do plugin e adiciona um menu na janela principal do pitiupi.
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## 6. Passo a passo: criando um plugin novo do zero
Vamos chamar o plugin de exemplo de `SeuPlugin`.
### Passo 1 — Criar a estrutura do projeto
Se você quiser um jeito mais facil sem se aprofundar, você pode criar o projeto de duas formas:
- **Mais simples:** copie um projeto Ant existente, como `pitiupi.chat` por exemplo, e remova o código específico do Chat.
- **Outra opção:** crie um novo projeto no NetBeans usando **"Java Class Library"**, mantendo a mesma estrutura de pastas.
```
pitiupi.seuplugin/
├── build.xml
├── nbproject/
└── src/
├── META-INF/services/
└── pitiupi/seuplugin/plugin/
```
### Passo 2 — Adicionar o `pitiupi.jar` como dependência
O plugin precisa do arquivo **`pitiupi/dist/pitiupi.jar`** para acessar `Plugin` e `MainWindow`.
- **Se criou do zero:** configure o `pitiupi.jar` como dependência.
- **Se copiou um projeto existente:** essa configuração já está pronta.
- **Se criou pelo NetBeans:** **Properties → Libraries → Add JAR/Folder** → selecione `pitiupi/dist/pitiupi.jar`.
### Passo 3 — Implementar a interface `Plugin`
Crie `src/pitiupi/seuplugin/plugin/SeuPlugin.java`:
```java
package pitiupi.seuplugin.plugin;
import pitiupi.GUI.MainWindow;
import pitiupi.net.Message;
import pitiupi.plugin.Plugin;
public class SeuPlugin implements Plugin {
@Override
public void createPlugin(MainWindow window) {
System.out.println("SeuPlugin foi carregado!");
// aqui você criaria sua janela/menu, como o ChatPlugin faz
}
@Override
public void receiveMessage(byte[] message) {
// trate as mensagens recebidas da rede aqui
}
@Override
public String getName() { return "MeuPlugin"; }
@Override
public String getAuthor() { return "Seu Nome"; }
@Override
public String getVersion() { return "0.1"; }
@Override
public Message getMessage() { return null; } // troque por uma Message real, se tiver
}
```
### Passo 4 — Registrar o plugin no `ServiceLoader`
Crie o arquivo (sem extensão):
```
src/META-INF/services/pitiupi.plugin.Plugin
```
Com **uma única linha** dentro, o nome completo da sua classe:
```
pitiupi.seuplugin.plugin.MeuPlugin
```
### Passo 5 — Compilar com Ant
```bash
cd pitiupi.seuplugin
ant jar
```
Isso gera o `.jar` em `pitiupi.seuplugin/dist/`.
### Passo 6 — Linkar o `.jar` na pasta de plugins
```bash
cd pitiupi/plugins
ln -s ../../pitiupi.meuplugin/dist/*.jar .
```
Usar link simbólico (`ln -s`) é melhor durante o desenvolvimento: toda vez que você recompilar o plugin, não precisa copiar de novo.
## 7. Geral
```
Plugin.java → "o que todo plugin precisa saber fazer" (o contrato)
MeuPlugin.java → "como EU faço esse trabalho" (a implementação)
META-INF/services/pitiupi.plugin.Plugin → "aqui está quem faz o trabalho" (o registro)
PluginLoader.java → "eu procuro registros e chamo quem se registrou" (o carregador, já pronto no pitiupi)
```
Entendendo essas quatro peças, criar qualquer plugin novo — chat, screencast, ou algo totalmente diferente (arquivos, jogos, sensores) — é sempre o mesmo padrão: implementar a interface, registrar no `META-INF/services`, compilar e linkar.